Entrevista com a responsavel pela semana do brincar no brasil

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Responsável pela Semana do Brincar no Brasil explica origem do evento, mudanças, ações para combater o consumismo e a importância do brincar livre e sem medo


Entrevista realizada por Suzana Sarmiento em 31/01/2014 , postada no Portal SETOR 3 - SENAC

 

 Portal Setor3 - Gostaria de saber qual foi o pontapé da ação?

Giovana Barbosa de Souza – Nosso cotidiano é tomado pelo excesso de informação, de consumo de alimentos e de roupas. Perdemos o contato com a simplicidade, com a beleza da vida, onde ocorrem os aprendizados, a imaginação, em que a criança pode brincar de ter um esconderijo, um lugar secreto aonde ela vai quietinha e ninguém a vê para ficar ali sozinha um pouco, só ela com seu universo. Nas brincadeiras, a criança aprende a dividir o brinquedo, a brigar com o amigo e pedir desculpas, descobre o valor do perdão, de ser aceita com suas diferenças. Nessa simplicidade mágica se tece a vida.

Foi nesse contexto que surgiu, em 2009, a ideia da Campanha Semana Mundial do Brincar. Na época houve uma mobilização pela internet feita pela Aliança pela Infância para comemorar o Dia Nacional do Brincar, mas observando alguns parceiros e núcleos espalhados pelo País, percebemos que as atividades não estavam mais concentradas apenas no dia 28 de maio, data conhecida como o Dia Internacional do Brincar. Notamos que as pessoas às vezes não conseguiam fazer uma ação em apenas um dia. Dessa forma, pensamos em uma Campanha com proporções maiores, e logo se espalhou pelos núcleos da Aliança pela Infância e com o tempo fomos agregando novos atores de várias formas e diferentes frentes.

Em 2010, foi a primeira vez que saímos da ação virtual para organizarmos uma ação em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do município de São Paulo e a UMAPAZ, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, em um programa aberto a crianças de todas as idades. Nessa época, tínhamos cerca de 15 núcleos pelo Brasil e hoje somos 30. Tivemos muito aprendizado. Com a primeira escola, abrimos um cronograma de atividades para fazer em vários lugares principalmente em espaços públicos para incentivar que as pessoas e as famílias ocupem esses locais e olhem para as necessidades das crianças, pois são cidadãs, sujeitos com direitos.

E de que brincar estamos falando? Estamos falando da atividade que tem fim em si mesma, pois não se trata de uma atividade dirigida, com expectativas desta ou daquela aprendizagem, e sim de um brincar livre e sem medo, com contato da natureza.

Portal Setor3- De 2009 até agora, quais foram os principais avanços e mudanças? E os desafios em organizar a Semana?

GBS- Primeiro, avançou na inserção da pauta nacional de políticas para infância. É uma conquista de todas as mãos envolvidas nesse processo, de todos esses parceiros, a inserção do tema do brincar de forma intersetorial. Por exemplo, em 2012 e 2013, fomos procurados por prefeituras de alguns municípios onde não temos Núcleos da Aliança ou nenhuma ação direta, mas que são comprometidas principalmente educação infantil ou com a infância. Em Curitiba, a Secretaria de Educação nos procurou para Semana Mundial do Brincar. Também recebemos um convite de Guarulhos que, em conjunto com a Secretaria de Educação e a Secretaria de Cultura e de Ação Social, tivemos uma formação para pais e educadores sobre o conceito do brincar. Já em Botucatu (SP), onde a Aliança possui um núcleo de articulações, tivemos até um Projeto de Lei do Dia do Brincar, tonando-se um caso de política pública.

Quando temos a oportunidade de dar uma entrevista ou de ter uma fala em algum veículo de mídia, conseguimos que o tema seja disseminado, fazendo com que mais pessoas tenham acesso às informações sobre a importância do brincar. Esse tipo de informação não chega a todas as mães, babás e avós, que são as pessoas que ficam e educam as crianças. No ano passado, participaram 135.223 crianças, sendo que em 2012 foram 50 mil. Na edição passada, foram envolvidos 23 núcleos e 70 municípios parceiros na campanha. É uma construção coletiva, porque as instituições nos ajudam em um processo de rede em rede.

 

Conheça a entrevista completa: 

http://www.setor3.com.br/jsp/default.jsp?tab=00002&newsID=a6471.htm&subTab=00000&uf=&local=&testeira=99&l=&template=58.dwt&unit=&sectid=185