PROTESTOS PACÍFICOS - UMA REALIDADE POSSIVEL

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A história da Humanidade é constituída por uma sequência de lutas, combates, guerras entre tribos, povos, países. As disputas familiares, econômicas, políticas e até religiosas também atravessaram os tempos. A dominação pela força foi adquirindo múltiplas facetas, ostensivas ou camufladas. E a forma que os subjugados conheciam para reagir, era essa mesma força da violência. Assim, herdamos a cultura da guerra, da violência ( física, psicológica, estrutural) que ilusoriamente dá a impressão de que só a força da violência tem o poder de vencer o opositor.

E é essa cultura da força bruta que leva as pessoas injustiçadas, exploradas, insatisfeitas, excluídas, oprimidas a se rebelarem em ondas de violência depredando, atacando, incendiando indiscriminadamente, vitimando inocentes, atingindo o que está à frente. Causam prejuízos à própria população usuária de equipamentos e patrimônio coletivos depredados, que exigirão verbas públicas para reparo ou reposição. A força da violência não raciocina, nem percebe que as verbas públicas são provenientes do dinheiro da própria população que paga impostos.

Mas a História da Humanidade e os livros sagrados registram também alguns exemplos de personalidades e ações mundiais e históricas em que a não-violência organizada mostrou sua força e atingiu os objetivos pretendidos. Na atualidade podemos destacar as conquistas de Mandela e suas atitudes que são um exemplo vivo de Cultura de Paz.

O movimento da contra-cultura dos hippies, na década de 60, a música dos Beatles entre outros, lançavam ao mundo o apelo de “ Paz e Amor “

No final do século passado, iniciaram as ações da ONU para a construção da Cultura de Paz e Não-violência. Em conferências e encontros internacionais foram elaborados documentos, programas, acordos, manifestos para nortear a disseminação do novo paradigma.
No ano 2.000, um grupo de laureados do prêmio Nobel da Paz esboçou o Manifesto 2000 por uma Cultura de Paz e Não-Violência .

Hoje, crescem, nas diversas partes do mundo, organizações, pesquisas, programas, cursos, obras e outros recursos para a construção da Cultura de Paz. E, ao contrário, do que se possa pensar, equivocadamente, o conceito de Paz que essa cultura propõe, nada tem a ver com passividade, conformismo, submissão. A paz é um processo contínuo para construção de relações justas e solidárias em que os conflitos são enfrentados construtivamente, sem violência. 

Protestos pacíficos têm força ?

Gene Sharp, fundador do Instituto Albert Einstein (organização não-governamental que se dedica ao estudo e a divulgação de ações não-violentas de combate a regimes totalitários), pesquisou exaustivamente os principais líderes e organizações mundiais que pela não-violência organizada conseguiram derrubar ditaduras. Entre eles, Gandhi, Luther King e Mandela .

Os estudos e orientações de Sharp têm sido utilizados por movimentos revolucionários democráticos, incluindo aqueles ligados à primavera árabe.

Na obra “ Da Ditadura à democracia- Uma Estrutura Conceitual para a Libertação”, Sharp apresenta 198 formas de ação não-violenta. O autor apresenta vários motivos para demonstrar que a violência não é a melhor alternativa, destacando que o mais importante é que o inimigo sabe melhor como utilizá-la.
Segundo ele, é preciso mais coragem para vencer pela não-violência, do que enfrentar. soldados, bombas de gás, sprays de pimenta e outros aparatos. Optar pela violência é se render ao lado negro da força.

Petições online e ativismos virtuais, são avanços que vieram facilitar enormente o despertar e a mobilização das pessoas, mas, por si só, não são suficientes. É necessário ir além, sair às ruas, em ações organizadas e planejadas com propósitos específicos, fundamentados na verdade, honestidade e não-violência de qualquer tipo.

A História registra que protestos pacíficos têm força e Gene Sharp contribui com suas pesquisas e orientações para convencer e desenvolver a competência de lideranças, organizações e de todas as pessoas dispostas a exercer uma participação democrática consciente, eficaz e pacífica.

As informações sobre o trabalho de Gene Sharp foram obtidas no artigo de Adeildo Nascimento - “As lições do guru do novo protesto pacífico”.
Acesse o artigo e saiba mais sobre o assunto.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-licoes-do-guru-do-protesto-pacifico/